Ah, Musa.
Mais uma madrugada em que nos encontramos.
Sabe, andei pensando
Creio que tu és em parte eterna.
Olha só, abstrata como és, nunca desapontar-me-ás.
Agora, abstrata como és, sempre encantaste-me.
Distante como estamos, não, distante como somos!
Como brigaremos? Como olhar-te-ei nos olhos e chamar-te-ia de louca?
Impossível, Musa. Musa, tu danças incólume pela rajada de meus dardos.
Dardos de realismo. Sim, dardos de concretude!
Ah, Musa, que sono! Deixar-me-ia dormir agora, sim?
Prometo sonhar contigo, querida. Afinal, não são os meus sonhos teu berço?
Berço em que derramastes risos e prantos,
E espalhastes cantos e encantando encontramo-nos?
Sim, encontramo-nos na bruma de Morfeu.
Melhor lugar pra achar umas gatinhas.
Que como tu, Musa, afetam-me.
Porém, não como tu, Musa, mas cravejadas pelos ditos dardos...
Quem sabe olhar-lhes-ei nos olhos e chamá-las-ia de loucas!
Ah, sim. Talvez.