Friday, January 1, 2016

Incólume entre dardos

Ah, Musa.
Mais uma madrugada em que nos encontramos.
Sabe, andei pensando
Creio que tu és em parte eterna.

Olha só, abstrata como és, nunca desapontar-me-ás.
Agora, abstrata como és, sempre encantaste-me.

Distante como estamos, não, distante como somos!
Como brigaremos? Como olhar-te-ei nos olhos e chamar-te-ia de louca?
Impossível, Musa. Musa, tu danças incólume pela rajada de meus dardos.
Dardos de realismo. Sim, dardos de concretude!

Ah, Musa, que sono! Deixar-me-ia dormir agora, sim?
Prometo sonhar contigo, querida. Afinal, não são os meus sonhos teu berço?
Berço em que derramastes risos e prantos,
E espalhastes cantos e encantando encontramo-nos?

Sim, encontramo-nos na bruma de Morfeu.
Melhor lugar pra achar umas gatinhas.
Que como tu, Musa, afetam-me.

Porém, não como tu, Musa, mas cravejadas pelos ditos dardos...
Quem sabe olhar-lhes-ei nos olhos e chamá-las-ia de loucas!
Ah, sim. Talvez.