Não sei nada
Nunca saberei nada
Nao posso querer saber nada
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo
Sei que estou doente, mas não vou no médico por raiva
Não raiva da medicina, que respeito muito, mas raiva de mim mesmo
Como uma superstição que não entendo
Só sei que não vou no médico
Sinto no meu cachimbo a libertação de todos os meus pensamentos
Enquanto a polícia me permitir continuarei fumando
Aqui deitado na calçada
Só peço que não me bloqueiem a lua
Sai da minha frente, Alexandre!
Já me chamaram de cão, de cínico, de louco
Querem me botar numa clínica
Onde inclinar-se-ão sobre mim esses respeitáveis doutores
Virgens vestidos de branco
Adoradores de falsos ídolos
Adoradores dos fatos
Sou um adorador é do meu falo
Perguntam-me o que há de errado comigo
E não falo nada