Tuesday, October 27, 2015

Aviso aos navegantes

       O que o possível leitor virá a encontrar nas subseqüentes postagens deste blog não será nada de bom.
       Não, pelo contrário, ao abrir meu âmago sobre este teclado, é possível que minhas entranhas o deixe sanguinolento, fétido, patético e censurável. Não, se eu fosse você, leitor, eu não perderia meu tempo com essas besteiras de um porra de um adolescentezinho com pretensões de literato. Vá procurar videos de gatinhos e pugs que tragam sorriso aos teus lábios.
       Contudo, leitor sórdido, desses que se alegram com a tragédia alheia, ah o senhor tem o espetáculo a te aguardar! Um que trará deleite a esse teu sadismo que corrói, que queima como ácido, faminto! Sim, espere só para ver...
       De certa forma, respondo à proposta de Fernando Pessoa/Álvaro de Campos:

"(...)
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
(...)"
(Álvaro de Campos - "Poema em Linha Reta")

Att.: Os autores
                 

Saturday, October 17, 2015

D'uma noite, um olhar

Em busca de consolo 
Fui à Consolação
Consumir poesia
De poetas desconsolados.

Na rua, a multidão
Passo por eles, vagando, e vejo
O garoto e a garota
Trocarem um olhar que fala, que grita, calados.
Como a um romance inteiro assistisse
Digno de sorrir, perfeito
E que não dura um segundo

Carrego quilos de papel, e meu guarda-chuva.
Acompanhado pelo tabaco em brasa
Acompanhado pelos poetas desconsolados.
E vou assim, para casa, escrever da minha noite.

Wednesday, October 14, 2015

Sonhadores - para redação da Fuvest de 2010

Na infância, é comum brincar de “faz de conta”, ativa e coletivamente criar uma situação inusitada com a imaginação. Apesar de aparentemente se observar um decréscimo das fantasias à medida que crescemos, jamais deixamos de depender de uma imagem da realidade formada a partir da experiência. Jamais em contato com o mundo “em si”, mas o experimentando sensorialmente, nossa concepção da realidade é criada a partir de imagens situacionais, que frequentemente são inexatas.
         Na obra “Noites Brancas” de Fiódor Dostoiévski, o protagonista se apresenta como um sonhador, alguém que vive em seu próprio mundo imaginário. Por meio da imaginação, o jovem vê em situações cotidianas aquilo o que deseja ver no mundo. Assim, passeando pelas ruas de São Petersburgo, consegue ler a mente de pedestres, apaixonar-se por ideais de mulheres e conversar com edifícios. O conto ilustra como o indivíduo, em sua subjetividade, ao mesmo tempo cria e interpreta o seu mundo ao interagir com imagens, não com os objetos em si.
         Imaginamos invariavelmente uma realidade mais agradável. Constantemente fazemos planos de vida, sonhamos com sucessos e delícias. Artistas, ao elaborarem suas obras, externalizam seus anseios e opiniões, representações imagéticas de um mundo sonhado só por eles. Criar imagens sobre o que o cerca é uma necessidade do homem, em sua interação com o ambiente e em sua construção pessoal. O “sonhador” de Dostoiévski enunciou “involuntariamente acreditamos que em nossos sonhos incorpóreos há qualquer coisa de vivo e de palpável”. Temos o profundo desejo de que nossas imagens, ou sonhos, que temos sobre o mundo se concretizem. A esse sentimento chamamos de “esperança”.

         É inevitável que nossa interação com o mundo seja predominantemente imagética. Assim, ser humano é ser como um sonhador, que transita entre a fantasia e a realidade, criando e interpretando seu mundo da maneira que melhor lhe agradar.

Abro os olhos

Abro os olhos. Estou em um campo. O sol bate no meu rosto. O capim debaixo dos meus pés exala seu aroma. Ao meu redor não há nada, só o vazio. Não há estradas, não há montanhas, não há arvores. Só o imenso pampa. Da terra vem uma música tocada por uma orquestra de mil cordas... Fecho os olhos. O sol se põe, sinto o vento rugir ao meu redor. Os contrabaixos se enfurecem,os violinos parecem se dissolver no ar como névoa densa.
Abro os olhos. O gramado está escuro, iluminado apenas por uma fraca luz que vem de cima, tímida. Olho para cima e vejo dois pássaros que parecem brincar. De suas penas fulgura luz, como se eles fossem estrelas vistas de perto. Um, alvo como a neve, outro, dourado como chamas. Eles cantam em dueto, acompanhados pelas cordas de lugar nenhum. Deito-me na relva, acima de mim prossegue o balé de luzes. As vozes dos pássaros parecem declamar versos em uma língua que eu quase consigo entender...
Toca o despertador. Abro os olhos, limpo as lágrimas. Levanto da cama, deixo os lençóis, vazios. Mais um dia, menos um dia.

Phantom Pain (Those wings of mine)

Wandering through life
One day I was gifted
Wings to mine
Flyed and drifted

They took me to Paradise
There I kissed them
Those wings of delight
Those wings of mine

I, who haven't ever flyed
Those wings of delight
Became part of my
World. How could I land?
In that past of torment?
That weakness of wakeness
That is flying not?

But so land I did.
And those wings of delight
Had I to cut to bit

Oh! How they cried!
Sometimes at night
Still hear do I
The air flowing by
Those wings that aren't there

Oh! How cry do I
Now that I land
Upon this torment
This Phantom Pain
Weak
Wake
Vain.



Megalocardia

Coração insiste em recordar,
 discorda de acordar.