Wednesday, October 14, 2015

Abro os olhos

Abro os olhos. Estou em um campo. O sol bate no meu rosto. O capim debaixo dos meus pés exala seu aroma. Ao meu redor não há nada, só o vazio. Não há estradas, não há montanhas, não há arvores. Só o imenso pampa. Da terra vem uma música tocada por uma orquestra de mil cordas... Fecho os olhos. O sol se põe, sinto o vento rugir ao meu redor. Os contrabaixos se enfurecem,os violinos parecem se dissolver no ar como névoa densa.
Abro os olhos. O gramado está escuro, iluminado apenas por uma fraca luz que vem de cima, tímida. Olho para cima e vejo dois pássaros que parecem brincar. De suas penas fulgura luz, como se eles fossem estrelas vistas de perto. Um, alvo como a neve, outro, dourado como chamas. Eles cantam em dueto, acompanhados pelas cordas de lugar nenhum. Deito-me na relva, acima de mim prossegue o balé de luzes. As vozes dos pássaros parecem declamar versos em uma língua que eu quase consigo entender...
Toca o despertador. Abro os olhos, limpo as lágrimas. Levanto da cama, deixo os lençóis, vazios. Mais um dia, menos um dia.

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