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| Brooklyn Wheelan : ALPINE SYSTEM - B Acrylic on stretched canvas. 112cm x 112cm (44.1” x 44.1”). 2018. Signed en verso. |
Thursday, December 27, 2018
Pink smoke
When I think of love, there is a turmoil of persons in my head, people meshing into people, and the great de-personification e re-personification of feeling. What does that mean? When I say LOVE, a face comes to mind, and another face follows, and then on, in a parade of loved ones and de-loved ones. The great rose coloured theme, the symbol the encompasses this feeling, this parade, this collection of memory... that is abstraction. The thing in itself might just as well be a phenomenon of electro-chemical-neural activity that collects into emergent properties and make me think and feel what I feel, I, a collection of atoms bouncing to a rhythm, I, chunk of animate meat. But that is the question: to be or not to be, animation, anima, soul. I, you see, I am, and this am is alive, I am alive, apart from all other predicates of I, I am alive. And love, this flandering, this flawed, fleeting, floating thing is like mortar to the rocks and bones and atoms of this body, it is energy, it is feeling, and abstraction, and free association in a mirror and a parade of faces. A flash, a glimpse, a mist, a blurr. Like pink smoke, caramel smelling smoke.
Saturday, December 22, 2018
Tem uma ilha na praia
Tem uma baía e nela uma ilha
A baía tem prédios, colunas de prata
Em volta da ilha
Os prédios são cinza e prata também
As águas são verdes e a ilha também
Na praia tem um menino que não tinha ninguém
Olhava para o mar e para a ilha além
Pensava em nadar e em se divertir
O mar era longo mas não tinha problema
O menino nadava sempre sozinho pois não tinha ninguém
Virava-se para a ilha baixinha,
Dava as costas aos prédios cinza
Ele verdinho, olhando para si
Tem uma ilha na praia.
A baía tem prédios, colunas de prata
Em volta da ilha
Os prédios são cinza e prata também
As águas são verdes e a ilha também
Na praia tem um menino que não tinha ninguém
Olhava para o mar e para a ilha além
Pensava em nadar e em se divertir
O mar era longo mas não tinha problema
O menino nadava sempre sozinho pois não tinha ninguém
Virava-se para a ilha baixinha,
Dava as costas aos prédios cinza
Ele verdinho, olhando para si
Tem uma ilha na praia.
Tuesday, December 11, 2018
matéria bruta, um solilóquio para não ser lido
tudo começa com um página em branco, uma lapiseira e muita empolgação
escrevo a partir de um local, durante um tempo. Sou uma pessoa, mas levar isso tudo para a escrita seria tornar a coisa por demais pessoal, de forma que estaria escrevendo nada a não ser autobiografias, mas não é isso que eu quero aqui, quero escrever com certo grau de despersonalização, para que você leitor, possa ler e usar, e apreciar, e fruir como quiser, sem que necessite ver a minha pessoa nisso que está diante de você. Certo grau de despersonalização, contudo, pois sou uma pessoa e se escrevo deve ter algum motivo, algum sentido que eu vejo nisso para a minha pessoa.
Escrevo como o quê? escrevo como homem? escrever como homem significa escrever para homens? o fato da minha masculinidade, não a minha renda, a minha cor, o meu curso universitário, ter aparecido antes é significativo, deve ser. É algo a ser retirado, ou algo a ser deixado? E se é pra ser retirado, sequer é possível? se sim, como?
Mas não, não é da minha masculinidade que eu quero falar, não diretamente, mas há certo aspectos do que eu vou escrever que, apesar de eu acreditar e desejar, podem ser lidos por mulheres, não poderiam ser escritos por uma mulher. Isso é apenas uma constatação da mera existência da questão do gênero e que é provavelmente a mais profunda variável em jogo na nossa sociedade, mas importante que cor, religião, renda, ou o que diga. Gênero, não sexo, é a variável mais importante quando se vem a entender quem uma pessoa é.
Mas também não é de gênero que eu quero falar, se bem que gênero com certeza envolverá, permeará os assuntos que eu tratarei. Paternidade, memória, existência, guerra, pacifismo, música, arte, filosofia, importância das humanidades, educação, inteligência coletiva, pensamentos, expressão, emoções, amor, luto, crime, vingança, injustiças e justiça, imortalidade e enfim a morte. A imortalidade logo antes da morte, curioso o meu jogo de palavras... Ah, não disse? Estou escrevendo sem backspace, estou escrevendo sem corrigir a não ser a minha ortografia. Penso que assim me aproximo de uma certa ingenuidade, autenticidade, como os beatniks que a minha professora de literatura exaltou, e em que eu devo ter visto algum valor por ver nisso algum tipo de valor. Ooops. Espero não te irritar muito, imagino que deve ser irritante ler o que uma pessoa saiu escrevendo sem ou com pouco critério..
Sim, há valor em editar um texto, e isso é algo que eu estou já descobrindo na prática. Há uma grande quantidade de fazer metalinguístico, de pensar que está escrevendo enquanto se escreve, contudo eu pessoalmente tendo a me irritar com autores que o fazem por demasiado, a não ser que o façam explicitamente como recurso expressivo, como é o caso do Machado de Assis. Ah, como eu adoro Machado! Eu devia fazer uma resenha sobre ele, enquanto eu escrevo algo próprio. Aí entro também no problema de fazer várias coisas ao mesmo tempo, de ler enquanto escrevo e de ler várias coisas ao mesmo tempo que no fndo é o problema geral da organização que é uma coisa em quê eu nunca fui muito bom (inclusive agora que estou pensando nisso, eu queria muito refletir sobre a minha TDAH, mas tenho preguiça disso... ) A sim, a preguiça como um fator importante no desenvolvimento de algoritmos, isto é de como planejamos em realizar uma tarefa, da forma mais preguiçosa significa a forma mais eficiente possível.
Organização, começo a pensar em aspectos práticos da minha vida, estes certamente não podem entrar no que eu vou escrever. Um aspecto prático importantíssimo é ler o que eu já escrevi. Sim! Editar, enriquecer, concentrar as coisas boas que eu já produzi e levar ao templo da crítica, ao altar do leitor. Minha oferenda, minha edição minha última edição que no fundo sou o eu que escrever,
Escrever é em grande parte descobrir a si mesmo em uma conversa interna, uma conversa com o espelho, uma reflexão. Se um dia eu publicar um livro de ensaios vou chamar "reflexões", bem genérico, como Montaigne chamou "ensaios" e Lacan chamou "escritos"... Sim, pessoas me inspiram, e a inspiração significa identificar o que é bom, o motivo do porque é bom e tentar realizar algo que tenha algo de bom pelo mesmo motivo, não necessariamente da mesma forma, porque aí é plágio. pronto, defini o plágio! Olha que geninho que eu sou.
Quem são os meus leitores... Não, eu ia escrever escritores. Quem são meus escritores favoritos? Mas antes disso, vamos tratar do lapso - quem são meus leitores favoritos? Meus leitores favoritos são a Vic, o meu tio, minhas primas, meus mestres, pessoas que eu admiro ou que me admiram. Especialmente são pessoas de mútua admiração. "Mútua admiração", olha que coisa mais bela, mais rica! Imagina só se Nietzsche me admirasse! E imagino que admiraria se me conhecesse! "Quanta autoestima, Temer!" você poderia pensar... mas não, acho saudável sim lidar com certo nível de bom-grado comigo mesmo, uma aposta num eu que tem certas qualidades inerentes, sem contudo ficar convencido ao ponto de não precisar mostrar o porquê das minhas qualidades, de não precisar produzir, de não produzir fenômenos para além de um nômeno no qual só eu acredito, e no qual alguns acreditam com menos motivo do que eu tenho para acreditar... em mim mesmo.
Sinto que estou escrevendo como o cara do notas do subsolo escrevia - ah! que agonia ler aquilo. Um solilóquio mesmo. A literatura tem pouco espaço para solilóquios, é difícil alguém escrever solilóquios explícitos... Ah, escolha um tema! Mas o que isso sequer significa, meu caro? Escolha um assunto, um conteúdo. Meu bem, je suis le conteúdo, o assunto sou eu. Este texto vem de mim, ele é a minha substância, que é tão gigantesca, que não cabe no texto. Não, não escolherei um assunto, um tema, mas um filé mignon do meu eu, um recorte, um corte, à la açougue. Pego agora a minha lapiseira e risco na minha pele um pontilhado que despejarei aqui! Vamos a ele.
Nasci em São Paulo. Opa, de novo, não "nasci em 2018"... op, mas nasci em 1996!
Lapsos, lapsos
Não "nasci em 1996, em São Paulo", mas "Nasci em São Paulo, em 1996" - e quando escrevo em meus diários, escrevo "São Paulo, [data]". Primeiro o espaço, depois o tempo. Logo, é mais importante o espaço em que se está do que o tempo em que se está. Ora, as coisas variam muito mais de quilômetro a quilômetro do que de século em século! Mudam muito através do tempo, mas como muito mais mudam através do espaço! Logo, sou de São Paulo, sou paulistano sim senhor, em meu peito lê-se NON DVCOR DVCO, o lema de minha terra natal. "Não sou conduzido, conduzo". Oras, singelo, não é mesmo? Sim, mas nunca me elogiaram por minha humildade, de qualquer forma.
Não é de humildade que eu careço, é de lerdeza. [CENSURADO]. Não é arrogância, se bem que pode ser se alguma pessoa mais obtusa se debruçar sobre este compêndio, mas vontade de excelência o que me move. Vontade de excelência é o que me levou à filosofia, à medicina, à Universidade de São Paulo. Ah, sim, aí sim isso é um tema que eu gostaria de tratar, o meu fanatismo pela Universidade, e como acho que as soluções para o mundo sairão das universidades. A minha crença, a minha fé no saber humano é um dos meus valores mais caros. Eu acredito fortemente no poder transformador do indivíduo sentar para ler um livro e transformar-se à sua vontade. Sim, eu tenho uma grande fé no conhecimento, na intelectualidade, no esforço. Não, não sou um demagogo partidário das idéias simplistas da meritocracia que falam que "tudo se resolve com esforço". Não, tudo se resolve com dinheiro, e tem gente que não tem, e não só não tem, como não tem como conseguir. Isso pra mim é o pior de tudo, a falta de condições, de oportunidades para a pessoa se issar do buraco em que ela se encontra. [CENSURADO] quero dêem condições para o que a nossa elite [CENSURADO] chama de vagabundos, para que pelo menos sentar na frente de um livro eles possam, com tempo, para ler entender e ler muitos livros até que possa atingir a maioridade intelectual, a condutância do si mesmo, que é o que esta cidade tanto grita, não é mesmo? Talvez algo que falta à esta cidade é oportunidade para os que querem fazer acontecer.
Máquina de moer gente esta cidade, todas as oportunidades são agarradas por alguém, e há quem diga que agarrar uma oportunidade é algo que poucos fazem... duvido, duvido muito, o que já vi de gente esforçada nesse Brasil enche um país inteiro. O sertaneja é antes de tudo um forte; ora, digo que o brasileiro é antes de tudo um forte. Infelizmente também é, logo em seguida, um ignorante. Ah, vivo numa terra de analfabetos, analfabetos funcionais, analfabetos políticos, analfabetos filosóficos... A filosofia é um nível de alfabetização sim, não tejam enganados não.
Voracidade, a pessoa que se dispõe a escrever alguma coisa tem que ler muito. Gente, eu leio tanto que eu nem lembro do que leio! Isso é um problema? Acho que sim, mas quando vou ver, eu aprendi muitas coisas de um tempo para o outro, mas não sei de onde elas vieram! Devem ter vindo de algum daqueles livros qu eu folheei desesperadamente. Há um certo desespero em ler, para mim, eu leio com desespero de ler, de virar uma página, de ver as páginas se somando numa grossura maior e maior na esquerda do livro, e ver a montanha de páginas á direita diminuindo, sinal de que eu estou andando, como quando fico esperando a coisa esquentar na frente do microondas me dá certo desespero "meu deus essa coisa não vai acabar nunca?" E quando escrevo então! Começo um dia´rio na primeira folha e vou escrevendo, rabiscando, verborragias com uma certa urgência de acabar! E os calendários então! Aaaah quero que passe logo o tempo, a minha faculdade, a minha residência, quero viver a minha vida... quero morrer. O meu desespero por acabar, o meu desespero por conclusões... é uma vontade de morrer, é uma todestrieb, é uma death drive. Como eu quero o alívio das tensões que me habitam, é uma catarse escrever e sentir as coisas escorrendo lentamente mas pelos meus dedos, não na velocidade que eu queria, mas indo, olha só como este texto já está ficando grande. Se quero morrer, sim quero morrer, querer morrer para mim é a mesma coisa que querer viver, como um artista desespera para acabar sua obra, eu, artista da minha vida que é a minha obra, minha única coisa que é essencialmente minha, nem o que eu escrevo sou eu, o que eu escrevo eu apenas fui, imediatamente antes de passar as palavra para o papel - a minha vida é a minha obra somada, é a minha conclusão, a única conclusão é morrer, e a ciência de que vou morrer me desespera, me deixa voraz, guloso, quero transar, foder, comer, deglutir, esgarçar, quero arrebentar as possibilidades de um mundo que se estende vasto diante de mim, mas ao mesmo tempo muito bem finito, alcançável, está ao alcance destas minhas mãos masculinas, brancas, privilegiadas - o que hei de fazer om tanto poder? como farei jus ao meu privilégio? como prestarei contas sobre o que fiz de minha riqueza, de minha vida, do ar dos meus pulmões que eu consumi e tirei de alguém para consumir! Achas que não? Ora, escrevendo! Escrever é prestar contas de uma alma, sob certa ótica.
Não somente. Se fosse assim, para quê publicar? Deixa tudo num grande baú de papel como fez Fernando Pessoa. Oras, mas não conhecemos do Fernando Pessoa o que estava no barril - eu escrevi barril duas vezes e corrigi por baú apenas na primeira, será que foi um lapso? será que é um lapso que eu estou pensando em barril de alguma coisa consumível, como vinho, como cerveja? alguma droga que os leitores beberão de mim e serei algo incorporado à essência deles. "Tal pensador "bebe" de tal ideia; "nem só de pão vive o homem, mas d'A Palavra"... Idéias são nourishment?
Enfim, é preciso escrever para um público, para uma externalidade, é preciso fazer parte de uma certa atividade dada socialmente, como um grande campo de pessoas falando e pessoas ouvindo... Imagino o inferno como algo assim, imagino o inferno como pessoas ouvindo tudo o que eu tenho para dizer e eu não podendo me impedir de dizê-las. A, sempre há o outro no meu inferno, e eu tenho muitos infernos. Sim, tenho, para mim o paraíso tem a densidade populacional da antártica. E o clima também. Chega, já começo a suar.
escrevo a partir de um local, durante um tempo. Sou uma pessoa, mas levar isso tudo para a escrita seria tornar a coisa por demais pessoal, de forma que estaria escrevendo nada a não ser autobiografias, mas não é isso que eu quero aqui, quero escrever com certo grau de despersonalização, para que você leitor, possa ler e usar, e apreciar, e fruir como quiser, sem que necessite ver a minha pessoa nisso que está diante de você. Certo grau de despersonalização, contudo, pois sou uma pessoa e se escrevo deve ter algum motivo, algum sentido que eu vejo nisso para a minha pessoa.
Escrevo como o quê? escrevo como homem? escrever como homem significa escrever para homens? o fato da minha masculinidade, não a minha renda, a minha cor, o meu curso universitário, ter aparecido antes é significativo, deve ser. É algo a ser retirado, ou algo a ser deixado? E se é pra ser retirado, sequer é possível? se sim, como?
Mas não, não é da minha masculinidade que eu quero falar, não diretamente, mas há certo aspectos do que eu vou escrever que, apesar de eu acreditar e desejar, podem ser lidos por mulheres, não poderiam ser escritos por uma mulher. Isso é apenas uma constatação da mera existência da questão do gênero e que é provavelmente a mais profunda variável em jogo na nossa sociedade, mas importante que cor, religião, renda, ou o que diga. Gênero, não sexo, é a variável mais importante quando se vem a entender quem uma pessoa é.
Mas também não é de gênero que eu quero falar, se bem que gênero com certeza envolverá, permeará os assuntos que eu tratarei. Paternidade, memória, existência, guerra, pacifismo, música, arte, filosofia, importância das humanidades, educação, inteligência coletiva, pensamentos, expressão, emoções, amor, luto, crime, vingança, injustiças e justiça, imortalidade e enfim a morte. A imortalidade logo antes da morte, curioso o meu jogo de palavras... Ah, não disse? Estou escrevendo sem backspace, estou escrevendo sem corrigir a não ser a minha ortografia. Penso que assim me aproximo de uma certa ingenuidade, autenticidade, como os beatniks que a minha professora de literatura exaltou, e em que eu devo ter visto algum valor por ver nisso algum tipo de valor. Ooops. Espero não te irritar muito, imagino que deve ser irritante ler o que uma pessoa saiu escrevendo sem ou com pouco critério..
Sim, há valor em editar um texto, e isso é algo que eu estou já descobrindo na prática. Há uma grande quantidade de fazer metalinguístico, de pensar que está escrevendo enquanto se escreve, contudo eu pessoalmente tendo a me irritar com autores que o fazem por demasiado, a não ser que o façam explicitamente como recurso expressivo, como é o caso do Machado de Assis. Ah, como eu adoro Machado! Eu devia fazer uma resenha sobre ele, enquanto eu escrevo algo próprio. Aí entro também no problema de fazer várias coisas ao mesmo tempo, de ler enquanto escrevo e de ler várias coisas ao mesmo tempo que no fndo é o problema geral da organização que é uma coisa em quê eu nunca fui muito bom (inclusive agora que estou pensando nisso, eu queria muito refletir sobre a minha TDAH, mas tenho preguiça disso... ) A sim, a preguiça como um fator importante no desenvolvimento de algoritmos, isto é de como planejamos em realizar uma tarefa, da forma mais preguiçosa significa a forma mais eficiente possível.
Organização, começo a pensar em aspectos práticos da minha vida, estes certamente não podem entrar no que eu vou escrever. Um aspecto prático importantíssimo é ler o que eu já escrevi. Sim! Editar, enriquecer, concentrar as coisas boas que eu já produzi e levar ao templo da crítica, ao altar do leitor. Minha oferenda, minha edição minha última edição que no fundo sou o eu que escrever,
Escrever é em grande parte descobrir a si mesmo em uma conversa interna, uma conversa com o espelho, uma reflexão. Se um dia eu publicar um livro de ensaios vou chamar "reflexões", bem genérico, como Montaigne chamou "ensaios" e Lacan chamou "escritos"... Sim, pessoas me inspiram, e a inspiração significa identificar o que é bom, o motivo do porque é bom e tentar realizar algo que tenha algo de bom pelo mesmo motivo, não necessariamente da mesma forma, porque aí é plágio. pronto, defini o plágio! Olha que geninho que eu sou.
Quem são os meus leitores... Não, eu ia escrever escritores. Quem são meus escritores favoritos? Mas antes disso, vamos tratar do lapso - quem são meus leitores favoritos? Meus leitores favoritos são a Vic, o meu tio, minhas primas, meus mestres, pessoas que eu admiro ou que me admiram. Especialmente são pessoas de mútua admiração. "Mútua admiração", olha que coisa mais bela, mais rica! Imagina só se Nietzsche me admirasse! E imagino que admiraria se me conhecesse! "Quanta autoestima, Temer!" você poderia pensar... mas não, acho saudável sim lidar com certo nível de bom-grado comigo mesmo, uma aposta num eu que tem certas qualidades inerentes, sem contudo ficar convencido ao ponto de não precisar mostrar o porquê das minhas qualidades, de não precisar produzir, de não produzir fenômenos para além de um nômeno no qual só eu acredito, e no qual alguns acreditam com menos motivo do que eu tenho para acreditar... em mim mesmo.
Sinto que estou escrevendo como o cara do notas do subsolo escrevia - ah! que agonia ler aquilo. Um solilóquio mesmo. A literatura tem pouco espaço para solilóquios, é difícil alguém escrever solilóquios explícitos... Ah, escolha um tema! Mas o que isso sequer significa, meu caro? Escolha um assunto, um conteúdo. Meu bem, je suis le conteúdo, o assunto sou eu. Este texto vem de mim, ele é a minha substância, que é tão gigantesca, que não cabe no texto. Não, não escolherei um assunto, um tema, mas um filé mignon do meu eu, um recorte, um corte, à la açougue. Pego agora a minha lapiseira e risco na minha pele um pontilhado que despejarei aqui! Vamos a ele.
Nasci em São Paulo. Opa, de novo, não "nasci em 2018"... op, mas nasci em 1996!
Lapsos, lapsos
Não "nasci em 1996, em São Paulo", mas "Nasci em São Paulo, em 1996" - e quando escrevo em meus diários, escrevo "São Paulo, [data]". Primeiro o espaço, depois o tempo. Logo, é mais importante o espaço em que se está do que o tempo em que se está. Ora, as coisas variam muito mais de quilômetro a quilômetro do que de século em século! Mudam muito através do tempo, mas como muito mais mudam através do espaço! Logo, sou de São Paulo, sou paulistano sim senhor, em meu peito lê-se NON DVCOR DVCO, o lema de minha terra natal. "Não sou conduzido, conduzo". Oras, singelo, não é mesmo? Sim, mas nunca me elogiaram por minha humildade, de qualquer forma.
Não é de humildade que eu careço, é de lerdeza. [CENSURADO]. Não é arrogância, se bem que pode ser se alguma pessoa mais obtusa se debruçar sobre este compêndio, mas vontade de excelência o que me move. Vontade de excelência é o que me levou à filosofia, à medicina, à Universidade de São Paulo. Ah, sim, aí sim isso é um tema que eu gostaria de tratar, o meu fanatismo pela Universidade, e como acho que as soluções para o mundo sairão das universidades. A minha crença, a minha fé no saber humano é um dos meus valores mais caros. Eu acredito fortemente no poder transformador do indivíduo sentar para ler um livro e transformar-se à sua vontade. Sim, eu tenho uma grande fé no conhecimento, na intelectualidade, no esforço. Não, não sou um demagogo partidário das idéias simplistas da meritocracia que falam que "tudo se resolve com esforço". Não, tudo se resolve com dinheiro, e tem gente que não tem, e não só não tem, como não tem como conseguir. Isso pra mim é o pior de tudo, a falta de condições, de oportunidades para a pessoa se issar do buraco em que ela se encontra. [CENSURADO] quero dêem condições para o que a nossa elite [CENSURADO] chama de vagabundos, para que pelo menos sentar na frente de um livro eles possam, com tempo, para ler entender e ler muitos livros até que possa atingir a maioridade intelectual, a condutância do si mesmo, que é o que esta cidade tanto grita, não é mesmo? Talvez algo que falta à esta cidade é oportunidade para os que querem fazer acontecer.
Máquina de moer gente esta cidade, todas as oportunidades são agarradas por alguém, e há quem diga que agarrar uma oportunidade é algo que poucos fazem... duvido, duvido muito, o que já vi de gente esforçada nesse Brasil enche um país inteiro. O sertaneja é antes de tudo um forte; ora, digo que o brasileiro é antes de tudo um forte. Infelizmente também é, logo em seguida, um ignorante. Ah, vivo numa terra de analfabetos, analfabetos funcionais, analfabetos políticos, analfabetos filosóficos... A filosofia é um nível de alfabetização sim, não tejam enganados não.
Voracidade, a pessoa que se dispõe a escrever alguma coisa tem que ler muito. Gente, eu leio tanto que eu nem lembro do que leio! Isso é um problema? Acho que sim, mas quando vou ver, eu aprendi muitas coisas de um tempo para o outro, mas não sei de onde elas vieram! Devem ter vindo de algum daqueles livros qu eu folheei desesperadamente. Há um certo desespero em ler, para mim, eu leio com desespero de ler, de virar uma página, de ver as páginas se somando numa grossura maior e maior na esquerda do livro, e ver a montanha de páginas á direita diminuindo, sinal de que eu estou andando, como quando fico esperando a coisa esquentar na frente do microondas me dá certo desespero "meu deus essa coisa não vai acabar nunca?" E quando escrevo então! Começo um dia´rio na primeira folha e vou escrevendo, rabiscando, verborragias com uma certa urgência de acabar! E os calendários então! Aaaah quero que passe logo o tempo, a minha faculdade, a minha residência, quero viver a minha vida... quero morrer. O meu desespero por acabar, o meu desespero por conclusões... é uma vontade de morrer, é uma todestrieb, é uma death drive. Como eu quero o alívio das tensões que me habitam, é uma catarse escrever e sentir as coisas escorrendo lentamente mas pelos meus dedos, não na velocidade que eu queria, mas indo, olha só como este texto já está ficando grande. Se quero morrer, sim quero morrer, querer morrer para mim é a mesma coisa que querer viver, como um artista desespera para acabar sua obra, eu, artista da minha vida que é a minha obra, minha única coisa que é essencialmente minha, nem o que eu escrevo sou eu, o que eu escrevo eu apenas fui, imediatamente antes de passar as palavra para o papel - a minha vida é a minha obra somada, é a minha conclusão, a única conclusão é morrer, e a ciência de que vou morrer me desespera, me deixa voraz, guloso, quero transar, foder, comer, deglutir, esgarçar, quero arrebentar as possibilidades de um mundo que se estende vasto diante de mim, mas ao mesmo tempo muito bem finito, alcançável, está ao alcance destas minhas mãos masculinas, brancas, privilegiadas - o que hei de fazer om tanto poder? como farei jus ao meu privilégio? como prestarei contas sobre o que fiz de minha riqueza, de minha vida, do ar dos meus pulmões que eu consumi e tirei de alguém para consumir! Achas que não? Ora, escrevendo! Escrever é prestar contas de uma alma, sob certa ótica.
Não somente. Se fosse assim, para quê publicar? Deixa tudo num grande baú de papel como fez Fernando Pessoa. Oras, mas não conhecemos do Fernando Pessoa o que estava no barril - eu escrevi barril duas vezes e corrigi por baú apenas na primeira, será que foi um lapso? será que é um lapso que eu estou pensando em barril de alguma coisa consumível, como vinho, como cerveja? alguma droga que os leitores beberão de mim e serei algo incorporado à essência deles. "Tal pensador "bebe" de tal ideia; "nem só de pão vive o homem, mas d'A Palavra"... Idéias são nourishment?
Enfim, é preciso escrever para um público, para uma externalidade, é preciso fazer parte de uma certa atividade dada socialmente, como um grande campo de pessoas falando e pessoas ouvindo... Imagino o inferno como algo assim, imagino o inferno como pessoas ouvindo tudo o que eu tenho para dizer e eu não podendo me impedir de dizê-las. A, sempre há o outro no meu inferno, e eu tenho muitos infernos. Sim, tenho, para mim o paraíso tem a densidade populacional da antártica. E o clima também. Chega, já começo a suar.
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