Sunday, December 27, 2015

Velocidade de escape

Há um limite mínimo necessário de velocidade inicial à qual se lançar um satélite para o espaço para que ele consiga "fugir" da atração exercida pela gravidade terrestre. Esse valor é obtido de forma que a energia cinética ao lançamento seja suficientemente grande para exceder o trabalho do peso ao longo do trajeto de "fuga" - trajeto, aliás, infinito. Pois bem, a velocidade de escape deve ser tanto maior quanto for a atração exercida pelo astro do qual se visa a "fugir". 

Em termos matemáticos, temos:


(wikipedia)


Ora essa fórmula, apesar de obviamente exata, deixa a desejar. Como ocorre em muitos casos em que se desprezam os processos vetoriais, isto é, a trajetória específica pela qual o corpo deve passar, o processo inteiro, muita informação se perde.

Nesse caso específico, perdemos a noção de que são necessários dois corpos para que se estabeleça uma interação gravitacional, ou seja, é necessária uma segunda massa para que esta fórmula tenha algum sentido. No entanto, para efeitos de cálculo, esta massa não é considerada, não "entra na fórmula". Faz-me perguntar em quantos casos a relação de causalidade se perde por uma análise simplificada? Quantas vezes as perguntas feitas são insuficientes? Para se entender um fenômeno, quanto se pode ignorar? Se é que podemos de fato ignorar qualquer coisa que seja...

Solução saturada

Tenho, às vezes, uma vontade, a craving, de rimbaudnianamente dissolver meus fantasmas com absinto.

Monday, December 14, 2015

Ó Musa!

Ó Musa! que tanto me inspira
Bem ou mal.
Que rouba o meu e deixa-me apenas
Um sorriso besta.

Ó Musa! se te procure é por que estou só
Somente.
Egoísta como sempre eu clamo pelo teu seio
Insaciável.

Ó Musa! se soubesses como me intrigas
Misteriosa.
Pena que és assim tão abstrata, tão fumaça
Evanescente.

Ó Musa! Quisera eu fazer estar à tua altura
Humildemente.
Queria ser teu maior bardo, teu maior menestrel
Louco.

Sunday, December 13, 2015

Sobre seqüencias em sua dimensão temporal

Dada uma série qualquer, que se manifesta no tempo, como saber se um elemento é o último? Digo, sabe-se que ele não foi o primeiro elemento pois já foi registrada a ocorrência de outros elementos parecidos.
Mas os elementos por vir são incertos. Assim, resta apenas os estudos da probabilidade? Se sim, a partir de quanto a incerteza pode ser aproximada como certeza? E quais os fatores que influenciam na ocorrência dos possíveis - e prováveis? - próximos fenômenos dos elementos em série. 
Creio que esta seja a pergunta mais importante: até que ponto podemos controlar os próximos elementos de uma seqüência qualquer. Seria útil se pudéssemos contar com uma estimativa mais otimistas do que uma fração entre 0 e 1. 

Pequena suja

ela, que era tão jovem, tão suja
olhava para essa melancolia de meus versos
eu ria
ria como quem debochava
como que debochava de alguém que soluça alto

e ela declamava aqueles versos

que são meus
dando gargalhadas por que ela é tão alegre e jovem e suja e porquinha
que ela olha para essa melancolia e acha graça demais
como se a desgraça não existisse em seu mundinho tutti frutti
mas como eu a amava

Wednesday, December 9, 2015

Espelho Plano

Ah espelho! Como eu te amo!
Te amo pois me reflete perfeitamente aquilo que lhe lanço.
E não poderia ser o contrário! Não poderias mandar nem menos nem mais de volta para mim do que eu lhe mando.
Por isso te amo, ó espelho! Por essa nossa simetria.


(René Magritte, "La reproduction interdite")