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| Engarrafamento no trajeto até o pico do Evereste em 22 de maio de 2019 Foto: Reprodução/ @Nimsdai Projeto Possible / AFP |
O simbolismo em volta do alpinismo é o de superar obstáculos, e ver tanta gente no mundo chegando ao ponto mais difícil, superar o mais alto ponto, é como se muita gente estivesse zerando a Terra, alcançando o ponto mais extremo desta realidade que habito, é como se de repente o mundo estivesse se tornado tão povoado que as pessoas estão escorrendo por suas bordas. É uma sensação de desespero, especialmente porque eu não estou escorrendo pelas bordas, eu não estou respirando o ar alucinante das alturas rarefeitas. Não, estou eu aqui, cotidiano, pedestre, na minha vida de burocracias - provas, créditos, capítulos, artigos, deadlines, currículos, reputações, prêmios, aspirações, antidepressivos e menstruações.
Resta-me apenas a schadenfreude de ver que a ousadia não sai impune, e isso me serve como uma consolação ao meu recalque, mas apenas enquanto eu não posso tentar eu mesmo morrer na fila do Everest.

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